Especialista da USP esclarece sobre uso de luz ultravioleta como medida auxiliar na prevenção da Covid-19

Por conta da Covid-19, a Vigilância Sanitária vem sendo consultada com certa frequência a respeito de novas técnicas, procedimentos, produtos e equipamentos desenvolvidos para auxiliar na prevenção da doença.

A luz ultravioleta (UVC) tem sido um dos recursos propostos pelo mercado para desinfecção de ambientes e superfícies em geral, sugerindo o combate, dentre outros microrganismos patogênicos, ao novo coronavírus.

No caso da luz ultravioleta, convidamos o professor Vanderlei Salvador Bagnato, renomado físico e cientista brasileiro, professor titular da Universidade de São Paulo (USP), para nos esclarecer a respeito de alguns aspectos técnicos fundamentais para compreender os benefícios do emprego da luz UVC e os possíveis riscos relacionados aos seus diferentes usos.


O uso da luz UVC é uma estratégia aceitável para prevenir riscos em estabelecimentos de assistência à saúde e outros locais que exigem procedimentos mais rigorosos de desinfecção?


Prof. Vanderlei Bagnato: O ambiente hospitalar, especialmente quando sujeito a intenso trânsito ou permanência de pessoas com doenças infecciosas, é onde tende a se acumular uma significativa quantidade e variedade de microrganismos patogênicos. Apesar de já se ter procedimentos bem estabelecidos para eliminar os microrganismos que se acumulam nas superfícies e nos objetos, a alta circulação das pessoas obriga a adoção de procedimentos intensivos de limpeza e higienização. Para as superfícies do piso, das paredes, assentos, mesas ou similares, a aplicação de UVC pode ser de boa ajuda, mesmo na presença de pessoas circulando pelo local. É essencial, no entanto, tomar cuidados para que as pessoas não sejam expostas a essa radiação. Muitas empresas já desenvolveram dispositivos seguros que permitem desinfetar superfícies como chãos, mesas etc. Todavia, os usuários precisam estar cientes de que não devem expor os olhos e demais partes do corpo diretamente à luz, que deve ficar próxima da superfície a ser exposta, mas não incidir diretamente sobre as pessoas.


fonte: Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo